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Três vezes doente



ou minhas meninas, minha vida vazia 

Estou aqui em mais uma manhã fria sentindo o peso de ser pai nas costas e nas pontas dos dedos. Estou aqui aflito e com medo. Minhas filhas e esposa dormem ao meu lado enquanto escrevo. Passamos a noite atordoados e presos ao tormento da febre, da tosse e dos delírios de Licinha. Bia a cada tosse despertava aos gritos e prantos, passamos, Meire e eu, a administrar procedimentos para abrandar o calor e as dores dos corpinhos infantis e amolecidos.
Estou aqui e velo de longe o sono que finalmente chegou sobre as três. Des de quinta-feira última (09), estamos presos à cama, banhos mornos, medicamentos e dengos das meninas. Me se mostra forte, mãe de verdade, destemida como uma heroína dos romances que leio, nem parece que, também está doente, cuida de uma das filhas enquanto cuido da outra, e vamos assim, trocando de cria e de dengos enquanto a febre e as dores não passam.
A Licinha mal se alimenta, pelo menos consegue ingerir bastante líquido, percebemos que emagreceu e só quer ficar deitada, o que me mata, já que é uma menina hiper ativa, criativa... a casa não é nada sem suas filosofias, e eu me sinto sem um pino de sustentação – sem as dicas, pensamentos e comentários de minha pequena pensadora... os meus diálogos com ela agora se limitam a, Filha você está bem, Sim, sim... papai... tô ficando melhor, e se virando de lado tenta dormir.
A Bia por sua vez... por ser ela ainda um bebê não consegue exprimir o que sente, e tentamos, imaturamente, imaginar o que quer, precisa e sente. Tudo é inútil.
Dou colo, dou amor, medico e tento confortar na medida do possível.
Por fora me mantenho forte, firme, tento demonstrar que estou bem, mas por dentro, por dentro me sinto pequeno, me sinto um inseto... não sei o que fazer, e o que faço, faço por impulso, ou por achar ser o que é certo, minha alma sangra, grita... e me mantenho mudo, segurando o desespero de meu ser, do meu espirito.
Minha vida fica vazia. 
Flávio Mello
manhã de 16/05/2012



MINHA LUZ SERÁ A SUA

 
ou assim como meu caminho será você.


Estávamos cansados de viver juntos, estávamos saturados, o amor, o amor havia saído pela porta da frente quando aquele triste inverno chegou, não nos deixou uma carta de despedida, típica dos suicidas, também, não era sua obrigação escreve-la, uma vez que fomos nós mesmos que o criamos, e assim como um filho, o amor não pediu para existir entre nós.
Estávamos cansados.
Estávamos cansados das cores de nosso lar, estávamos cansados de ver os mesmos móveis todos os dias, assim como as cores que desbotavam, nos aparadores estavam xícaras, nunca usadas, de porcelanas, trincadas pela nossa ausência.
Éramos estranhos de nós mesmos.
Não sei se é possível que o ser humano consiga ser um exilado de si mesmo, ou ensimesmado em sonhos que se dissipam junto ao vapor do banho quente, da água para o chá, ou café, ou a fumaça do cigarro que queima calado no cinzeiro na mesinha de centro de nosso destino. Somos elefantes brancos rumando ao cemitério de nossa existência. Somos camelos que navegam as tempestuosas dunas do deserto. Somos condores que sobrevoam encostas e precipícios vaporosos. Somos baleias que submergem na escuridão de nossas almas.
E quando a tempestade chegar, quando a tempestade chegar... e nosso barco estiver a deriva, se ao longe, distante de tudo, passos de saudade que ecoam ao largo, eu perceber um farol, prometo reverter tudo, prometo parar, respirar e mergulhar fundo num motivo de esperança, mudo as cores do lar, os moveis de lugar, eu mesmo farei nosso chá, eu mesmo irei remar, e remar, e remar... prometo ir eu mesmo buscar, mesmo que eu tenha que atravessar os desertos, sobrevoar, ou escalar abismos, sentir a mais terrível dor, eu mesmo irei buscar pela mão o nosso amor.

Flávio Mello
13/05/2012



Jorge de Lima: Restauremos a poesia em Cristo



Sai da porra desse teu sofá e vem pro meu


o tempo voa, mesmo 

Tá frio, Tá sim... que horas são, Umas 22h30, Mas já..., é o tempo voa, Voa mesmo, esses dias eu tava falando pra Lurdinha, Falando o quê, Do tempo oras, Que tem, Que tem o quê, Que tem o tempo da Lurdinha, Da Lurdinha nada meo... eu tava falando de como o tempo voa pra Lurdinha, Quer dizer que o tempo voa com a Lurdinha também, Porra você é muito chato, Ah, agora eu sou chato, Que horas são, 10 pra meia-noite, Porra num era 22h30, Era, mas você fica de putaria, Ah desculpa, Desculpa nada, sai da porra do teu sofá e vem pro meu. 

Flávio Mello
05/05/2012



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